30/06/2009 at 17:43 (Uncategorized) (, , , , , , , , , , , , )

Acidente Marcio
No dia 26 estávamos reunidos no bloco cirúrgico. Como sempre o clima era de descontração, mas havia uma certa tensão no ar.
Tudo e todos preparados, fui sedado e comecei a sentir uma leve tonteira.
Dr. Roberto foi soltando os parafusos que sustentavam a haste e eu ainda falei rindo:

- Ou!!!! Perai… Perai… Perai… Já que vc me sedou, espera essa porcaria fazer efeito.

Ele sorriu e explicou que só estava soltando a base, mas que só ia desparafusar quando eu apagasse.
O mundo começou a girar cada vez mais rápido e passado alguns segundos eu apaguei.
Após quase uma hora acordei e olhei para o braço. Vi que estava sem o fixador.
Dr. Roberto olhou para mim sorrindo e disse:

- Só tem que tomar cuidado agora, pois a ponte só está consolidada de forma convincente de um dos lados. NADA DE EXERCÍCIOS NOS PRÓXIMOS TRÊS MESES, entendeu?
Fora isso… Deu tudo certo!
Continua…

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29/06/2009 at 21:33 (Uncategorized) (, , , , , , , , , , , , )

Acidente1
Dr. Roberto chamou os residentes e ortopedistas que estavam no pronto socorro naquele dia e ia perguntando o que achavam daquele raio-x. Alguns achavam que já estava calcificado enquanto outros diziam que não.
Com o impasse acabei apelando para o velho golpe do alicate… Rs.
Diante de minha insistência ele falou que tudo bem. Ia marcar o bloco cirúrgico para retirar o fixador, mas veio com a pergunta:
- E se não estiver calcificado?

Respondi: - Nesse caso vc vai provar que estou errado (comecei a rir).

Ele olhou para mim e falou que entendia minha situação, afinal, já fazia um ano e dois meses que eu estava naquela batalha.
Marcamos o bloco cirúrgico para terça-feira (26/7/2005).
Tentei argumentar para retirar tudo no PS (pronto socorro), mas ele não aceitou. Falou que devido aos protocolos do próprio hospital, isso era impossível.

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27/06/2009 at 23:58 (Uncategorized)

Acidente
No final de Junho comecei a perturbar o Dr. Roberto para retirar o fixador, mas ele dizia que era melhor esperar mais dois meses.
Após tanto tempo, já começava a ficar excessivamente ansioso.
A bem da verdade, dois meses não era nada para alguém que já estava naquela a mais de um ano, mas vai convencer a alguém que está viajando o dia inteiro e que está perto do destino que o melhor é parar e esticar as pernas para espantar um pouco do cansaço. Vc logicamente vai querer acelerar o Maximo possível para chegar ao seu destino.
De tanto perturbar consegui fazer um novo raio-x. Com ele em mãos comecei a debater sobre a ponte óssea que já havia se formado em um dos lados da fratura.
Ele tinha medo que não estivesse totalmente consolidada, mas eu ficava insistindo que estava.
Aqui vale uma ressalva: Hoje vejo o quanto fui tolo! Muitas vezes deixamos nos levar por impulsos.
Às vezes por querer o melhor, fazemos as coisas no tempo ou de forma errada. Cada coisa tem o seu tempo e normalmente ele não é igual ao nosso, mas certamente é o mais adequado.
Hoje vejo que a vida segue num ritmo bem diferente do meu e não adianta tentar adequá-la aos meus desejos.
Quando tentamos forçar as situações para que sejam da forma ou no tempo que desejamos normalmente elas saem erradas. Com isso fracassamos no que nos propomos a fazer ou pior ainda… Deixamos pessoas magoadas para trás…

A todos um ótimo domingo!

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26/06/2009 at 04:04 (Uncategorized) (, , , , , , , , , , , , )

bahia 02Infelizmente tive um problema no meu antigo HD e perdi a  maior parte das fotografias daquele período. Fico devendo uma foto da comemoração.

No dia 31/5/2005 comemorei com alguns amigos o meu “primeiro aniversário”. Estava fazendo um ano que havia sido retirado das ferragens.
Nunca me importei com o dia do meu aniversário, mas prometi a mim mesmo que sempre vou comemorar o dia 31. Após ficar duas horas e meio preso dentro das ferragens (o acidente foi por volta das 22h do dia 30), eu era retirado e ali começava uma nova vida.

A comemoração foi super legal.
Ao final da noite, meus amigos que tb eram meus médicos se despiram da profissão e ficaram apenas as pessoas sentadas a mesa.
Rimos, contamos piadas e confraternizamos. Todos estavam satisfeitos, afinal aquela vitória era deles também.

Após retirar a haste superior fiquei alguns dias quieto. Aos poucos fui recuperando a confiança e passado uma semana, lá estava eu malhando novamente.
Acho que o Dr. Roberto estava certo ao não querer retirar a danada… Rs.

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25/06/2009 at 04:14 (Uncategorized)

recuperação (12)
Ao ver que não tinha mais jeito e que realmente estava decidido, ele chamou Daniel, Rafael (Residentes) e a Elaine (enfermeira) para ajudarem.
Deitei na maca e ele afrouxou o parafuso que dava sustentação às hastes. Pegou o alicate e começou a desparafusa-la.
Devo admitir que a dor era muito forte e que contraía os músculos a cada volta que dava para desparafusar.
Com suor por todo corpo e um alivio fora do comum, sorri ao ver a haste saindo de dentro da carne. Era mais uma batalha que estava sendo vencida.
Sentia que após tantas batalhas, lentamente ia vencendo aquela guerra. Era só uma questão de tempo…

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