Os anos que se seguiram passaram sem nada edificante na minha vida e fui me afastando cada vez mais de meus irmãos e pai. Na realidade, um ano após voltar de Manaus, todos foram novamente para o Estados Unidos, mas optei por ir a Manaus ficar com os amigos ao invés de viajar com eles.
Me alistei e fui voluntário para servir como Para-quedista do exercito. Era um sonho que tinha desde quando vi uma fita que meu primo levou em minha casa, do pessoal ralando na serra.
A realidade é sempre bem diferente da “beleza”que vemos numa fita de vídeo, mas mesmo assim, adorava aquela vida. Infelizmente o serviço militar se baseia em dois pilares, hierarquia e disciplina, a disciplina eu até encarava, mas sempre tive problemas com hierarquia. Mesmo assim fui o 01 do meu ano no TIBC (treinamento básico individual de combate). Em contrapartida, fui parar na prisão do batalhão por 6 vezes até que finalmente meu comandante entendesse que eu não servia para aquela vida.
Numa ultima conversa, capitão Castro ainda perguntou se eu não queria realmente engajar e seguir aquela vida. Respondi sem pensar duas vezes que só queria sair daquele inferno.
Saí do 25 BIPQDT apelidado carinhosamente pelos colegas de “passarinho”por minhas passagens pela irene. No total, fiquei quase 3 meses detido, mas como tudo na vida, tinha seu lado bom. Humm… Até hoje não consegui encontrar o lado bom dos meses que passei detido no quartel… Rs.
Continua…
O tempo foi passando e dois anos após começarmos a conviver com nossos irmãos todos os finais de semana, meu pai se mudou para Manaus.
Lembro como eu e Clerley choramos, achando que as crianças esqueceriam a gente. Com 14 anos fui para a Disney. Imagine a alegria daquele garoto suburbano indo pela Disney. Era algo inimaginável…
Ao voltarmos meu irmão decidiu ficar morando em Manaus e eu fui para o Rio ficar com minha mãe. Mesmo no início de adolescência, não achava justo minha mãe que tinha batalhado como louca para criar duas crianças, ficar sem nenhum filho ao lado, somente por que estávamos deslumbrados com o padrão de vida do meu pai.
No ano seguinte acabei me mudando para Manaus tb, mas não consegui me adaptar com a vida que levavam e fui meio que despachado de volta ao Rio, embora tenha certeza que na visão do meu pai, ele tenha me dado a opção de ficar…. Acabei me tornando um rebelde sem causa…
Continua…
Aos onze anos descobrimos que meu pai tinha uma nova família e que eu e meu irmão mais velho tínhamos dois irmãos, um com dois e outro com três anos. Ele nunca havia contado a Miriam que já era pai. Se começamos a conviver com nossos irmãos, foi graças a uma intervenção da natureza que colocou uma amiga da Miriam no mesmo restaurante que meu pai almoçava com a gente.
Logicamente ela tratou de contar o que tinha visto e ele pressionado acabou contando a verdade.
Conhecemos nossos irmãos e finalmente pudemos curtir um pouco os pequeninos.
Nessa época ele morava no alto Leblon e acabou comprando uma casa para a gente em Madureira. Pode não parecer muito, mas possivelmente se tivesse continuado em Honório, nosso futuro seria bem mais sombrio, uma vez que a maioria de nossos amigos do antigo bairro virou bandido ou drogado. Na realidade a maioria deles não está mais viva hoje em dia.
Continua…
Era o ano de 1972. Naquele ano nascia mais uma criança peralta, que conseguiu aprontar todas nos anos seguinte. Fui tirado debaixo de carros pelo menos três vezes em minha infância, além de uma vez ficar preso numa bomba que puxa água. Foi um belo choque do qual nunca me esqueci e olha que tinha apenas 4 anos. O chão estava todo molhado o que só serviu para piorar as coisas.
Minha mãe, uma grande mulher que fez o possível para criar dois filhos sozinha, muitas vezes deixando de comer para dar arroz e feijão aos filhos, sempre procurava nos ensinar coisas boas e nos educou com muito carinho e amor.
Cresci na rua Tacaratu em Honório e lá fiquei até os 11 anos.
Vim a conhecer meu pai com seis anos e na ocasião sentado no colo do “pai Cléber”, um primo de minha mãe que procurava completar a imagem paterna que nós desejávamos, não titubeei em dizer:
- Esse ai não é meu pai, meu pai é o pai Cléber! Nem preciso dizer como todos na sala deram risadas sem graça… Enfim, era uma criança.
Nos anos seguintes vi muito pouco o meu pai e continuei minha vida, tomando conta de carros fazendo carretos, vendendo água sanitária, enfim… fiz tudo para ganhar uns trocados quando criança.
Assim foi até os 11 anos, quando era um aluno nota A sem esforços e batalhador ao extremo, pois adorava ganhar uns trocados.
Continua (mais tarde posto de novo para compensar ontem).
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Foto do dia 31/1/2010
Antes de começar o texto, não posso deixar de me desculpar de novo. Vamos ver se agora vai…
Alexandre, de notícias. Espero de coração que tudo de certo para vc! Tenha confiança e saiba aceitar as situações, mas sempre lutando para melhorar! Um forte abraço.
Aline. Obrigado pelos comentários! Hoje em dia estou bem. Nunca recuperei 100% dos movimentos da mão esquerda, mas recuperei 95%, o que já da para pilotar moto e malhar
A vida nos leva por caminhos que jamais imaginamos. Tive grandes chances dadas pela vida, mas creio que sempre as deixei escapar. Aqui estou eu, sentado num sofá em Brasília, pensando no que vou fazer da vida. Como chequei aqui? Bom… Para chegar nesse ponto da história vou precisar voltar alguns anos. Digamos 37!
Continua (amanhã sem falta
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